Eu tenho um sonho
Uma promessa e um sonho: Estados Unidos da América.
Poderia postar hoje sobre diversos assuntos que têm efervescido a mídia como a Tomatina na Espanha, o show da Madonna na Alemanha, ou por se tratar de sexta-feira, algo engraçado. Mas vou falar um pouco do que me emocionou na noite de ontem: O discurso de um negro sem "Pedigree típico" (como ele mesmo disse), candidato pelo partido Democrata, a ser o Presidente da maior nação mundial, os Estados Unidos da América.
Por ser o primeiro negro com chances visíveis de ser Presidente dos EUA, eu imaginava que seu discurso sería uma forma mais genérica sobre valores e sonhos. Não que ele não tenha usado de argumentos assim, mas Obama mostrou-se um candidato firme, cheio de oposição ao governo Bush e a seu concorrente, Mc Cain.
Basta! Foi o discurso de Obama, com retórica incrível, uma posição muito bem fundamentada e acerba à Bush e Mc Cain. Mostrou-se um homem com bagagem, que veio de uma família pobre e que fez para ser melhor. Lutou por seus estudos, falou com dignidade sobre assuntos temidos por políticos por serem polêmicos e comprometedores, como aborto e homossexualidade. De fato, esse homem, negro, chegou aonde está porque tem competência e capacidade, fala como um líder, mostrou a que veio e a eloqüência de seu discurso chega a arrepiar.
Me senti menor ao ouvir seu discurso, veja bem, num país como os EUA, as pessoas não são obrigadas a votar, mas vestem a camisa da nação. Tanto os eleitores, quanto os candidatos falam a nível de nação, e não como no Brasil que sendo obrigados a votar, menosprezam seus votos, não estudam os candidatos e depois vivem a reclamar dessa política vergonhosa, que não se fala de sonhos, nem planos e nem projetos, apenas vemos escândalos uns atrás dos outros, um país que eleva números, mas cai em dignidade.
Eu não gostaria de falar mal do governo, mesmo porque acho que o Presidente tem se mostrado bastante competente. Mas discordo de ter um, com todo respeito, quase analfabeto no poder, que subiu às custas de sensacionalismo, chegou ao poder pela descrença da classe pobre, sem ao menos ter cursado um nível superior, ou aprendido alguma língua. Esse é o cartão de visitas do Brasil, mostre a sua cara, e quem paga somos nós.
Voltemos ao Obama! Quando Mc Cain disse que os americanos são choramingões, Obama respondeu:
"Uma nação de choramingões? Diga isso aos corajosos operários de uma montadora automotiva do Michigan que, depois de descobrir que sua fábrica seria fechada, continuaram a comparecer ao trabalho todos os dias e trabalhar tão duro quanto sempre, porque sabiam que havia pessoas que contavam com os freios que produziam. Diga isso às famílias militares que carregam suas responsabilidades em silêncio, enquanto vêem seus entes queridos partindo para seu terceiro, ou quarto, ou quinto turno de serviço militar. Eles trabalham duro, contribuem para o país e seguem adiante sem se queixar. Esses são os americanos que eu conheço."
Obama defendeu o progresso e a transformação sem medo. Somente ontem deixou claras suas promessas de governo, falou claramente e brigou para ser o Presidente. Falou com tom forte, se mostrou guerreiro, e sobretudo competente. Mostrou que seu partido está pronto, e lembrou que é o partido de Roosevelt e de John Kennedy, mas pra quem ainda acha que o partido não convence ele disse que uma nação não tem partido, citou diversas ocasiões, mas uma me chamou muita, pelo tamanho de sentimentalismo empregado:
"...em uma guerra. todos lutam juntos e sangram juntos, e morrem juntos, todos sob a mesma bandeira gloriosa"
Enfim, levanta-se um grande líder, que fala de muitos planos, mas que fala de sonhos. Inteligente, Obama termina seu discurso citando Martin Luther King e seu discurso "I have a Dream", que completou ontem 45 anos.
Luther King foi negro, e causou grandes transformações, tanto que seu nome mantem-se vivo até hoje. Acredito, que ontem, Obama deu seu passo à Casa Branca e mostrou, não só a Mc Cain que ele não é apenas um celebridade como Britney e Paris Hilton, mas provavelmente o futuro Presidente dos Estados Unidos da América.
veja o discurso na íntegra: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u438996.shtml
Meus aplausos!


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